panis et contractus socialis

cê tá pensando

o que? que eu sou loki, meu?

eu sou é rousseau.

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a falácia do pinocchio

já ouvi milhões de vezes adultos dizerem para as crianças: você está mentindo e se continuar assim, seu nariz vai ficar igual ao do pinocchio.

é lindo ver o cinema, as histórias infantis e o maravilhoso universo fantasioso de disney ajudando na criação e educação de nossas queridas crianças.

lindo, se não fosse ridículo. não precisa ser nenhum gênio pra perceber que depois de umas duas mentirinhas seu nariz não cresce porcaria nenhuma – exceto o meu, e o do pinocchio, claro.

da primeira vez, a criança, assustada, coloca a mão no nariz e torce com todas as suas forças pra que ele não cresça e não denuncie publicamente seu pequeno deslize.

da segunda vez, a mentira já é contada em tom de desafio. e quem vence o desafio é, obviamente, a criança.

parece que é mais rápido soltar uma frase com meia dúzia de palavras e citando o pinocchio do que explicar realmente as consequências de uma mentira.

da mesma forma, a criança vai achar muito mais fácil e rápido contar uma mentira do que assumir ou justificar suas atitudes.

ah, quanta beleza há no conflito geracional!

[lembrei de uma história que ouvi e não me espantaria se fosse verdade: uma mãe, assustada com sua filha pequena que tem um amigo imaginário, leva a criança a um psicólogo. durante alguns dias, o psicólogo observa a menina e os diálogos que ela mantém com seu amigo. seu diagnóstico: a menina tinha diálogos muito mais profundos com seu pequeno ser imaginário do que com os adultos à sua volta.]

so, no more pinocchio, please.