cu

“cu sem acento cansa”

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trilha sonora para traduzir os dias de sobrevivência

antes de sair de casa, “Divino Maravilhoso”, para que lembremos de onde vem a força.

ao longo do dia, “You don´t know me”, porque a beleza está no desconhecido.

ao chegar em casa, “AAUU”, pra desentalar o grito de chega! até o dia amanhecer de novo.

Dos números

Eles são concretos e silenciosos.

Mas para ouvir seu barulho,

abstração é mister.

Apesar do esforço de quem vos fala

em atingir a magnitude dos numerais,

seus cálculos e suas lucubrações sobre a medida do infinito,

não adianta:

com números, não consigo brisar,

abstrair, divagar.

Consigo, malemá,

algebrisar.

fome psíquica

sofro, de acordo com o mestre açu acê, de fome psíquica. trata-se algo que atinge os caipiras (longe do sentido pejorativo da palavra, por favor).

nada mais é do que o desejo das “misturas queridas” – como ele mesmo designa: em primeiro lugar, carne; em segundo, pão; e em terceiro, leite.

em suas palavras: “o fato é grave, quando lembramos que a desejabilidade do alimento constitui fator ponderável no seu aproveitamento orgânico; e que semelhante privação pode dar lugar a insatisfações psíquicas mais ou menos ponderáveis. daí um recalque permanente que, juntando-se a outros, irrompe por vezes através da turbulência e da embriaguez.”

(CANDIDO, Antonio. Parceiros do Rio Bonito, p.198)

acrescentaria apenas, como caipira na cidade quase grande, o café e o chocolate.