película e oco

bolha

“Duas vezes empalideceu, ficou quase lívido. Comecei a sentir falta de alguma coisa, era do cigarro? Acendi um e ainda a sensação aflitiva de que alguma coisa faltava, mas o que estava errado ali? Na hora da pílula lilás ela foi buscar o copo d’água e então ele me olhou lá do seu mundo de estruturas. Bolhas.”

(Lygia Fagundes Telles, A estrutura da bolha de sabão)

Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/3377707/Telles-Lygia-Fagundes-A-estrutura-da-bolha-de-sabao

HORÓSCOPO DO DIA

Sexta-feira Santa

.

Capricórnio

A conjunção entre Marte e Plutão no céu geram um clima astral tenso para o seu signo. Nos próximos três dias você pode ter turbulências no âmbito profissional e pessoal. É possível que você tenha uma surpresa desagradável. Uma pessoa próxima pode trair a sua confiança. Certifique-se de estar rodeado daqueles que você pode contar. Cultive o diálogo e a partilha no seu ambiente de trabalho.

o simbolismo decadentista e o sonho (ou seria o simbolismo e o sonho decadentista?)

O MEU SONHO HABITUAL

“Tenho às vezes um sonho estranho e penetrante
Com uma desconhecida, que amo e que me ama
E que, de cada vez, nunca é bem a mesma
Nem é bem qualquer outra, e me ama e compreende.

Porque me entende, e o meu coração, transparente
Só pra ela, ah!, deixa de ser um problema
Só pra ela, e os suores da minha testa pálida,
Só ela, quando chora, sabe refrescá-los.

Será morena, loira ou ruiva?— Ainda ignoro.
O seu nome? Recordo que é suave e sonoro
Como esses dos amantes que a vida exilou.

O olhar é semelhante ao olhar das estátuas
E quanto à voz, distante e calma e grave, guarda
Inflexões de outras vozes que o tempo calou.”

(Paul Verlaine)

i(r)mãs

“Na frente do espelho

Sem que ningúem a visse

Miss

Linda feia

Lindonéia

Desaparecida

Despedaçados atropelados”

.

são cacos de Macabéa

são cores de Lindonéia

 

 

brumário

marx, meu caro, me perdoe.

na história dos amores perdidos

– ou dos sequer achados –

os padrões se repetem, sim

(e nisso concordamos).

porém, ah, porém,

a primeira vez acontece como uma farsa,

essa tragicomédia que acomete

os pequenos corações em eterno trilho.

a segunda, caro marx, perde a graça.

o riso do inesperado se esvai e cede espaço para

a indubitável tragédia.

a repetição faz seu olho azul

ficar preto.

é a queda vertiginosa do herói

– o cerne da dramaticidade narrativa – e

é a ruína dos sonhos gestados.

transforma, marx,

devaneios em desvarios

e enche a sua história

de uma deseperança que é

simplesmente

drama.