lado negro da força

a obsessão é o darth vader do amor.

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a primeira página

ela é a senhora dos raios. simples movimentos impulsionam descargas elétricas de intenso desejo. me sussurra no ouvido o que todos querem e ninguém diz. venta leve palavras indizivelmente crepitantes. o caminho de beijos do pescoço até a boca segue a trilha ladeada pelas árvores dos arrepios. o regaço do corpo é o berço do descanso. seu olhar de volúpia me toca com uma suavidade que desloca a retina. afaga-se a boca, conforta-se a alma. vem de um frio na barriga que sobe quente pelo peito e faz do pulmão arfante o órgão fundamental dos sentimentos profundos. é quando por um lapso, um espasmo de lucidez em meio à embriaguez lânguida da noite, se percebe que a excitação vem antes do corpo. a prévia é a prova da intensidade do querer. me leve leve na ponta dos dedos. me pese forte com corpo que arde. me toque com a calma de olhar desesperado pra te ver por dentro. me deixe suar no mar da arrebentação que emana do seu sorriso. me ouça clamar e me diga o que quer. o hiato entre ter medo e não ter – mas precisar ter -, é um abismo que sua mão me conduz suave e com uma segurança errática. fique, permaneça e me aconteça.

poesia em dois quarteirões

desci a consolação e vi na calçada um homem dançando com uma boneca de pano em tamanho real. diante da minha risada surpresa, ele me disse: jovem, me dá uma moeda pra eu levar ela pra jantar!

*

chovia na bela cintra. as sombrinhas coloridas na calçada embaçavam a minha visão. no chão, um homem ajeitou seu cobertor de lã e fez de travesseiro comensal o seu grande e negro cão.